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Índia quer substituir China como novo polo industrial

Acompanhado por alguns dos empresários mais ricos da Índia, o premiê Narendra Modi lançou ontem uma campanha para atrair investimentos e promover o país como a próxima grande economia mundial de mão de obra barata.


A campanha "Make in India" ("faça na Índia"), com uma página na internet e uma logomarca exibindo um leão à espreita, é tanto uma propaganda quanto uma promessa de racionalizar a burocracia e tornar a Índia um país mais amigável aos investidores.
"O mundo inteiro está pronto para vir para cá", disse Modi. Ele apresentou a Índia como um país que oferece valores democráticos e uma população jovem e em crescimento, com uma demanda vigorosa. "Se existe um país no mundo onde todas essas coisas estão presentes, este país é a Índia."
A população indiana de 1,2 bilhão anseia pelo crescimento mais acelerado da economia. Criar mais empregos é uma alta prioridade e cerca de 13 milhões de jovens indianos ingressam no mercado de trabalho a cada ano. Há sinais recentes de uma retomada da economia, mas as taxas de crescimento permanecem bem abaixo dos 8% obtidos por mais de uma década, até que o crescimento começou a cair dois anos atrás.
Para muitos, um emprego em período integral continua fora do alcance e essas pessoas dependem de arroz subsidiado e das garantias do governo do fornecimento de trabalho por cem dias por ano. Mais de 700 milhões de indianos ainda vivem na pobreza e a infraestrutura deteriorada precisa urgentemente de melhorias.
Desde que se tornou premiê há quatro meses, Modi vem obstinadamente promovendo a Índia como a próxima potência industrial do mundo. Esse é um título há muito em poder da China, que agora está ficando mais rica e tenta se transformar em uma economia de consumo.
Modi também vem estimulando os bancos do país a abrirem contas para os pobres sem a necessidade de manutenção de um saldo mínimo, tornando-os uma parte oficial da economia e encorajando as poupanças pessoais. E ele vem cortejando companhias estrangeiras no Japão, China e outros países, incentivando ao mesmo tempo empresas indianas a buscarem oportunidades fora do país.
"Quero que as empresas indianas se tornem multinacionais e ampliem seu alcance para várias partes do mundo", disse Modi no lançamento da campanha, horas antes de partir para os Estados Unidos, onde ele e o presidente Barack Obama se reunirão em torno de uma agenda que inclui o fortalecimento dos laços empresariais.
Líderes empresariais elogiaram ontem a campanha "Make in India", com magnatas como o presidente do conselho de administração da Reliance Industries, Mukesh Ambani, e o presidente do Tata Group, Cyrus Mistry, participando da cerimônia de lançamento junto com Modi. Eles exortaram seu governo a reduzir a burocracia e simplificar o regime tributário para as empresas.
"O que está sendo lançado hoje na verdade será o próximo condutor do crescimento da Índia", disse Chand Kochhar, executiva-chefe do ICICI Bank. Ela afirmou que 900 mil empregos poderão ser criados no setor industrial na próxima década.
A campanha destaca 25 setores, como automobilístico, tecnologia da informação, farmacêutico, turismo e energias renováveis. Modi também prometeu simplificar as regras, que afugentam os investidores com atrasos e burocracia.


Fonte: Valor Econômico, 26/09/2014
Autor: Katy Daigle | Associated Press, de Nova Déli